domingo, 25 de julho de 2010

Nossos casos – PIOMETRA em CÃES

Bianca, poodle de 11 anos, chegou à clínica com secreção vaginal, distensão abdominal, hipotermia e ingestão de bastante líquido. Proprietária relatou cio há dois meses. Animal foi estabilizada com administração de fluido endovenoso, medicada com analgésico, antiinflamatório e antibiótico e submetida a cirurgia para remoção do útero e ovários.

Curativo abdominal no pós operatório.


Assim como a Bianca, várias outras cadelas, a maioria com idade avançada, foram atendidas e submetidas ao tratamento cirúrgico.

E o que encontramos foi o útero distendido e repleto de material purulento, como visto abaixo:


Fonte: Foto de República dos Animais Ltda.


Essa enfermidade é caracterizada por hiperplasia endometrial, inflamação uterina e subseqüente acúmulo de secreção purulenta na cavidade uterina, que resulta em bacteremia e toxemia moderada a severa com risco de vida se não tratada. Pode ocorrer em cadelas de qualquer idade, mas é mais comum em cadelas de meia idade ou idosas, com mais de 6 anos de idade. Os sinais clínicos ocorrem normalmente um a dois meses após o cio.

Os sinais clínicos dependem do tipo da piometra. Observam-se sinais clínicos sistêmicos brandos notando-se um corrimento de aparência variável na vagina, na pele e pelo sob a cauda e até nos locais onde a cadela tenha se deitado ou sentado. Podem ainda notar-se febre, letargia, anorexia e depressão. Na de cervix fechada, o pús que se forma não é drenado para o exterior. Acumula-se no útero, causando distensão abdominal. As bactérias liberam toxinas que são absorvidas para a circulação. Nestes casos, as cadelas ficam gravemente doentes em pouco tempo. Perdem o apetite e ficam apáticas e deprimidas. Podem ocorrer vômitos e diarréia.

A produção de urina aumenta e as cadelas bebem água em excesso para compensar as perdas renais. O organismo tenta eliminar a infecção por meio da filtração renal, porém devido ao excesso de secreção ocorre uma sobrecarga dos rins, levando a uma insuficiência renal e conseqüente morte do animal. Isto ocorre tanto nas piometras abertas como nas fechadas.

Como é diagnosticada?

O diagnóstico é feito através da história clínica, sinais clínicos, exame clínico e resultado de exames. O resultado do hemograma geralmente é compatível com infecção (aumento de células de defesa) podendo revelar anemia em casos crônicos. Nos exames bioquímicos de função renal e hepática podem indicar envolvimento destes órgãos, principalmente alteração renal causado principalmente pela liberação de toxinas pelas bactérias do útero. Radiografia e ultra-sonografia abdominais também são importantes na confirmação do diagnóstico.

Como é tratada?

O tratamento deve ser imediato e agressivo pois se trata de uma doença potencialmente fatal. Após estabilização do paciente com fluidos endovenosos e antibióticos, o tratamento pode ser efetuado e consiste na remoção cirúrgica do útero e dos ovários. Este procedimento chama-se ovário-histerectomia (esterilização) e é o tratamento de escolha, sendo o mais seguro e eficaz, pois remove imediatamente a fonte do problema.

Como prevenir?

As utilizações de métodos anticoncepcionais e abortivos contribuem ao desenvolvimento de piometra. A castração de animais jovens é o método mais seguro de prevenir piometra, cios e gestações indesejadas.

Referências Bibliográficas

LARA, V.M.; DONADELI, M.P.; CRUZ, F.S.F.; CARREGARO, A.B. Multirresistência antimicrobiana em cepas de Escherichia coli isoladas de cadelas com piometra. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.60, n.4, p.1032-1034, 2008.

POPPL, Á. G. Avaliação da influência do ciclo estral e da hiperplasia endometrial cística – Piometra sobre a sensibilidade à insulina e características da ligação hormônio-receptor em músculo de fêmeas caninas. 2008. 171f. Dissertação (Mestrado em Fisiologia) – Pós Graduação em Ciências Biológicas Porto Alegre.

11 comentários:

  1. Olá Priscila. Minha cadela deixou de comer como comia há uns 4 ou 5 meses. Estava emagrecendo, mas a região das costelas permanecia gordinha. Resolvi castra-la, ah, não sei a idade dela, pois foi uma adoção, mas comigo já está há quase 5 anos. Bem, depois da cirurgia de castração ela voltou ainda mais anorexica e deprimida. Pensei que tivesse sido o stresse do procedimento. Comecei a dar fígado de frango pra ela comer, mas nem assim ela comia. Depois de 30 dias da castração começou a mancar, depois a dificuldade em andar, até o dia em que não andava mais. O vet, que vinha a acompanhando deu o diagnóstico de cinomose.Mas ela deixou de comer e nem água tomava mais. Finalizando, 42 dias da castração, ontem, ela morreu no meu colo. De uma magreza cadavérica, mas com a região das costelas bem crescida. Será que ela tinha alguma doença no fígado? Estou inconformada e arrependida por ter levado ela para castrar num hospital-faculdade de veterinária, pois , segundo o vet. que a assistiu até a morte disse que ela pode ter sido contaminada com o vírus da cinomose lá. Ah, fizemos exame de sangue para ver se poderia ser erliquiose, mas não deu, só que ela estava com anemia. Por favor, se vc desconfiar de alguma outra coisa, me avise. Sei que não foi a cinomose que a matou. Obrigada e parabéns pelo blog. Meu e-mail é: ros_bautista@hotmail.com

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  2. Oi Rosana, sinto muito pela perda.

    A entrevista clínica com o paciente é essencial e deve ser a primeira avaliação a ser feita. Uma ação que tem contribuído para reduzir a ocorrência de problemas é a solicitação, pelo médico veterinário, de uma avaliação prévia de risco cirúrgico e anestésico no pré-operatório. Durante a avaliação, o animal é submetido a uma série de exames com a finalidade de se determinar o estado funcional dos vários sistemas orgânicos. E, após a interpretação dos resultados dos exames gerais, o médico veterinário irá estabelecer o grau de risco cirúrgico ou recomendar que o animal receba um tratamento preliminar para que possa ser operado dentro de parâmetros mais confortáveis e seguro.
    Entretanto, este procedimento, ainda não é rotineiro e muito dos animais ainda são operados sobre riscos.
    A cinomose canina é uma doença altamente contagiosa de cães, sendo considerada uma doença viral de alta prevalência.Essa enfermidade tem distribuição mundial e é endêmica. A incidência é mais alta entre os 60 e 90 dias de idade, período em que diminui a taxa de anticorpos maternos, mas o que estamos vendo na clinica nos últimos tempos vários animais de idade avançada afetados, em função da não vacinação, falhas imunológicas ou ausência de contato com o vírus.

    Espero ter contribuido um pouco com suas dúvidas. Estou a disposição.

    Priscila

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  3. A minha cachorra também tem 11 anos e foi diagosticada com piometria. Amanhã será a cirurgia. Estou muito preocupada! A poodle se recuperou bem??

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  4. Oi Cláudia, espero que assim como a Bianca, sua cachorrinha esteja bem.

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  5. Foi tudo bem!
    Tirou os pontos ontém e está ótima.
    obrigada.
    Claudia

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  6. Olá Priscila minha cadelinha poodle ( a LYLYKA) tambem estava com a piometra, fez a cirurgia este final de semana e recebeu alta a uns dois dias, queria saber se depois do pos operatorio é normal a cadela ficar meio triste, e com a barriga um pouco enxada (tipo fofa)
    se puder me responder agradeço.

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    1. Olá.... "anônimo"
      O animal fica triste, mas não é por causa da cirurgia, e sim por causa da infecção que a Lylyca tinha dentro da cavidade uterina. Se a barriga do seu animal estiver muito inchada, leve ela ao veterinário para que ele possa examinar e dizer se está tudo normal.

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  7. Olá Priscila. Minha cadelinha Yumi (chow chow) irá passar pela cirurgia de piometra na próxima segunda, estou muito aguniada. Esse tipo de cirurgia traz muito risco pro animal?

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  8. Oi Dayse, é um infecção grave sim. Espero que tenha dado tudo certo com a Yumi. Me de notícias.

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  9. minha cadela foi diagnostica com piometra, foi realizada o tratamento com antibióticos e depois feita a cirurgia, mas apos a alta ela teve convulsão e diagnosticada com hipoglicemia instável. É NORMAL ISSO ACONTECER? e quais os riscos para ela. Lembrando que ela ainda esta internada.

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  10. Boa noite! Preciso de ajuda por favor, minha cachorrinha de 14 anos passou pela cirurgia a 5 dias atrás. Passou super bem, no mesmo dia já estava alimentando normalmente, e a partir do dia seguinte, brincando, latindo, e feliz da vida como se nada tivesse acontecido. Mas hj, 5 dias depois da cirurgia, apareceu uma "carne" saído entre um ponto e outro, essa carne vem aumentando durante o dia. O que pode ser?

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