quarta-feira, 2 de novembro de 2011

VIII Simposio Internacional de Leishmaniose Visceral Canina

Somente hoje pude postar as informações do segundo dia do VIII Simpósio Internacional de Leishmaniose Visceral Canina. O dia foi muito cheio, muitas informações, algumas não tão novas e discussões.


A Leishmaniose visceral canina vem merecendo atenção especial por parte dos clínicos veterinários e profissionais da saúde pública. O enfoque dado para eutanásia dos cães, tem demonstrado ser ineficaz e dispendioso.

A leishmaniose visceral canina é uma doença infecciosa e não contagiosa, ou seja, ela é transmitida para outro cão ou ser humano, através da picada da fêmea de flebotomíneo infectada. O principal transmissor da infecção na maior parte do Brasil é a fêmea de flebotomineo Lutzomyia longipalpis, que não tem uma estação de transmissão definida.


Ainda existe uma boa parcela da classe veterinária que ainda não conhece o tratamento e a prevenção da leishmaniose, entretanto, a falta de conhecimento deles não pode impedir o tratamento dos cães pelos seus tutores.

O tratamento não é forma de controle.
O controle é feito com coleira para prevenir o inseto (Scalibor), repelentes no animal (Defendog, Advantage Max 3, Pulvex) e no ambiente (K-otrine), limpeza do ambiente para evitar material orgânico, evitar passeios nos horários de crepúsculo, telar os canis, vacinação (Leishmune e/ou LeisTec).


Tratamento é uma forma de controle individual, mesmo porque ocorrem recidivas mais frequentes no cão. Eutanásia é a última forma de controle e, de fato, a menos eficiente. Prova disso é que a política brasileira de prevenção da doença, por meio da eutanásia de milhares de cães, não proporcionou nos últimos 50 anos nenhuma mudança no controle da doença.

A vacina já está disponível em vários lugares do país. Hoje se tem no mercado a Leishmune, da Fort Dodge, que é aquela que vários veterinários não preconizam porque dizem que não diferenciarão os infectados dos vacinados (mentira ou desinformação), e a Leishtec, da Hertape Calier, que a propaganda é justamente alicerçada em não reações vacinais e cruzada em sorologias.

Entretanto, se já houver um animal infectado em sua casa, não entre em desespero! O tratamento, a vacinação e a utilização de repelentes em cão infectado com leishmaniose não o tornam um risco para sua família ou vizinhos; e pode levar à cura clínica (sem sinais de doença) e à cura epidemiológica (não transmissor da infecção).

Estudos explanados nesse simpósio demonstraram “cura parasitológica” em 50 % dos animais estudados. No entanto a nanotecnologia utilizada na manipulação dos fármacos ainda é muito cara, e não está disponível a comunidade veterinária, ficando restrita somente a comunidade cientifica.






Diagnóstico

Vale ainda relembrar, que o diagnóstico laboratorial complementa uma suspeita clinica, e o diagnóstico de uma doença só é dado pelo médico veterinário.
Em áreas endêmicas, nem todos os animais que são infectados com Leishmania desenvolvem a enfermidade, no entanto o percentual de cães resistentes à enfermidade não está totalmente estabelecido.
Durante o curso da doença pode haver proliferação generalizada do parasito, colonizando órgãos linfóides e não linfóides (linfonodos, baço, medula óssea, fígado, rim, pâncreas, intestino, testículo, pulmão, olhos, articulação...) e indução de uma reação granulomatosa com número variável de formas amastigotas . Ocorre ainda proliferação de linfócitos B, histiócitos, macrófagos, plasmócitos, resultando em linfoadenopatia generalizada e algumas vezes hepatoesplenomegalia.
A sorologia na clínica de pequenos animais é usada como triagem frente a uma suspeita clinica. Diversas técnicas sorodiagnósticas são utilizadas na busca de anticorpos específicos da doença, principalmente a reação de imunoflorescência indireta (RIFI), ensaio de ELISA, reação de fixação de complemento, teste de aglutinação direta e Western blotting. Além desses exames há os exames parasitológicos e os moleculares.
Veja o que mudou
A reação de imunofluorescência indireta (RIFI), utilizada a partir da década de 60, é considerada no Brasil, como confirmatório para o resultado do teste ELISA, mas devemos ter cuidado na sua interpretação, pois é um teste subjetivo que depende da experiência do observador para a titulação/ diluição preconizada no Brasil (1:40), e essa titulação de anticorpos nesse exame, não sustenta eutanásia de cães.
Vejam como Dr. Paulo Tabanez ironiza a diluição que é preconizada atualmente.


A literatura científica mundial estabelece que apenas títulos iguais ou superiores a 1:160 sejam confirmatórios.


O diagnóstico da LVC representa um desafio real ao clínico veterinário, pela presença de animais assintomáticos, pela diversidade da sintomatologia clínica apresentada e pela dificuldade em se obter uma prova diagnóstica que ofereça 100% de sensibilidade e especificidade.

Quer ficar por dentro?
Cadastre-se no site http://www.brasileish.com.br/. É uma associação de caráter científico formada por veterinários, sem fins lucrativos, dedicada à pesquisa e orientação ao manejo clínico de Leishmaniose em animais na Medicina Veterinária do Brasil.

Referência Bibliográfica
Nogueira, Fábio dos Santos. Avaliação clínico-laboratorial de cães naturalmente infectados por Leishmaniose visceral, submetidos à terapia com anfotericina. Tese (doutorado) – Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Botucatu, 2007.

Paulo Tabanez – Médico Veterinário, Especialista em Clínica e Cirurgia de Pequenos Animais, Mestre em Imunologia pela Universidade de Brasília e Diretor da Clínica Veterinária Prontovet.

5 comentários:

  1. Priscila, sigo algumas ongs que trabalham em defesa dos animais e fiquei sabendo que estão querendo implantar uma lei proibindo o sacrificio de cães portadores desse mal, e outra coisa que só acredito vendo é o governo custear as vacinas e ou tratamento não sei bem ao certo, estou na torcida.

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  2. A associação dos Clinicos veterinários de Minas Gerais (Anclivepa) é a favor da vida. A instituição exige a aplicação das verbas publicas em medidas éticas que busquem diagnósticos corretos, controle do vetor, campanhas de aplicação de inseticidas centrados nos cães e defende o desenvolvimento de campanhas educativas pelo poder público no esclarecimento à população. Matar cães não resolve o problema, isso que acontece hoje é um modelo arcaico copiado da China na decada de 50. O tratamento chegou a ser autorizado alguns anos atras aqui no Brasil, mas houve uma mudança na estrutura das pessoas envolvidas nisso no Ministério da Saúde. As coisas acontecem de acordo com os pensamentos envolvidos. A força politica veterinária vem crescendo e cada vez demonstra mais que matar cães como método de controle de uma doença não resolve. Mas isso vai mudar logo logo. A portaria do MS que proibe o tratamento da LVC, não é condizente com nosso código de ética. Você vai observar que cada dia que passa, os médicos veterinários batem no peito e falam, eu trato leishmaniose visceral canina.
    Eu sou a favor da vida.

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  3. Obrigada pela informação. Não ao sacrificio de portadores de leishmaniose.

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  4. Oi,Priscila.\meu nome é Silvânia.
    Hoje vi seu blog procurando informações na net sobre a doença.
    Tenho 2 cachorros e um já apresenta sintomas da doença:as unhas grandes ,pêlo ao redor dos olhos caindo ,fraqueza.Região do baço ,rins e fígado bem proeminete,dificuldade d locomoção.Vinha sendo tratada como inflamação dos rins até que na sexta pedi o exame,pois , em Itaúna há um surto da doença.Preocupo-me muito pq mamãe é idosa e tem anemia e tenho crianças em casa,além de outro cachorro.O que faço até receber o resultado?

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  5. Oi Silvânia, existe no mercado produtos que usamos na nuca do animal, para evitar a aproximação dos flebotomos (mosquitinho)(Defendog ou Advantage max 3. Além disso, você deve manter sua residência limpa, sem entulhos, sem acúmulo de materia orgânica e remover as fezes dos animais diariamente.
    A infecção em humanos ocorre pela picada do mosquitinho infectado, e não pelo contato direto com o cão.

    Aguardo notícias.

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