segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A velhinha que dava nome as coisas

Todos os dias o cachorrinho marrom vinha até o portão da velhinha. Todos os dias ela o alimentava e o mandava embora. Ele sempre ia, mas sempre voltava no dia seguinte.

E foi assim durante muitos meses. O cachorrinho cresceu, cresceu, até que não era mais filhote. Era um cachorrinho adulto. E continuava sendo um cachorro sem nome. Durante os meses que se passaram, a velhinha havia comprado uma cômoda nova, que apelidade de Berta, um carrinho de mão, que apelidara de Fred e um porco de cimento para o seu jardim, que apelidara de Caco. Mas o cachorro que ela alimentava fielmente todos os dias no portão ainda não tinha nome.

Um dia o cachorro marrom não apareceu na casa da velhinha. Sentada em Frida, ela ficou de olho no portão o dia inteiro, mas o cachorro não veio. A velhinha ficou triste.

No dia seguinte, quando o cachorro ainda não tinha aparecido, a velhinha entendeu que tinha de fazer alguma coisa.

Ela pegou o telefone e ligou para o canil da prefeitura.

- Vocês pegaram algum cachorro marrom? - ela perguntou ao encarregado do canil.

- Temos um canil cheio de cachorros marrons, madame - ele respondeu. - O seu estava usando coleira com o nome dele?

- Não - respondeu, tristemente, a velhinha. E desligou o telefone.

A velhinha sentou-se e ficou pensando no cachorro marrom que não tinha coleira com um nome.

Cynthia Rylant. A velhinha que dava nome as coisas. (Trechos selecionados) São Paulo:Brinque-Book, 2003.

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