terça-feira, 24 de julho de 2012

Preferencia alimentar do vetor da LVC no Brasil

A Lutzomyia (Lutzomyia) longipalpis é o vetor que transmite a leishmaniose visceral no Brasil. Esse vetor está adaptado em diferentes regiões e habitats no Brasil e tem uma dieta variada.
Alimenta-se de vários animais como: galinhas, pássaros, homens, cães, gatos, porcos, cavalos, ovelhas, gambás, ratos, gado, raposas, podendo alimentar-se ao mesmo tempo de duas ou mais espécies. Esse comportamento é comum, que é experimentar diferentes sangues até completar sua refeição. E é um aspecto importante na transmissão da infecção.
Vale ressaltar que só a fêmea é hematófaga, e ela precisa do sangue para a maturação dos ovos.
Apesar dos estudos demonstrarem fêmeas de L. longipalpis ingurgitadas com sangue de todos esses animais identificados acima, ela tem uma preferencia alimentar que varia de acordo com a região.
Assim como os humanos que tem suas comidas típicas que varia de Estado para Estado, as L. longipalpis também tem.
Esse estudo publicado recentemente (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3270439/pdf/JTM2012-858657.pdf)  mostra claramente isso.
Em Jequié/BA 20% das fêmeas de L. Longipalpis se alimentaram de sangue humano para 0,8% em Massapê/CE. Mas o que diferencia esses dois municípios?
Estudos tem demonstrado que a L. longipalpis tem uma forte atração pelas galinhas. O que foi observado no município de Teresina/PI, onde 67,6% das fêmeas estudadas estavam ingurgitadas com sangue dessas aves.  Essas aves servem como fonte de alimentação e assim podem atrair fêmeas infectadas com Leishmania infatum, permitindo a criação e manutenção e potencial em transmitir o parasito aos hospedeiros finais, que pode ser o homem, o cão e até o gato.

Veja aqui um esquema do vetor:

Mas alguns aspectos devem ser considerados, como: das 609 fêmeas de L. longipalpis, quantas representam essa porcentagem?

Dos quatro municípios estudados, as fêmeas se alimentaram de sangue humano em dois municípios.
Pesquisei para saber algumas características e encontrei:

Jequié/ BA – moderada transmissão - População: 150.541- 20% fêmeas com sangue humano
Massapê/CE – esporádica transmissão - População: 35.201 – 0,8% fêmeas com sangue humano

Pensando em números, quanto menor a população, menor a possibilidade dos humanos serem sugados pelas fêmeas?
Ou quanto menor a população, menor os efeitos ambientais causados por ela?
No nordeste do Brasil concentram-se 47% dos casos humanos de Leishmaniose.
E aqui no nosso município, você sabe qual tipo de sangue que a fêmea de L. longipalpis prefere?

A fêmea gosta do que está disponível para ser sugado.

E o que isso significa?
Que quanto mais animais abandonados na rua, sujeitos a sua própria sorte, mais animais serão infectados.

Quanto mais o ser humano despreza o meio ambiente, mais doenças irão aparecer.
Quer ler o artigo na integra?
AFONSO, M.M.S; DUARTE, R.; MIRANDA, J.C.;CARANHA, L.; RANGEL, E.F. Studies on the Feeding Habits of Lutzomyia (Lutzomyia) longipalpis (Lutz & Neiva, 1912) (Diptera: Psychodidae: Phlebotominae) Populations from Endemic Areas of  American Visceral Leishmaniasis in Northeastern Brasil. Journal of Tropical Medicine. Vol. 2012 Article ID 858657, 5 pages. doi: 10.1155/2012/858657

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